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FolhaPress

Em depoimento à CPI, reverendo chora e pede desculpas

O reverendo afirmou que seu erro foi abrir as portas para interdiários

CPI da Covid
Sessão da CPI da Covid. Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

O reverendo Amilton Gomes de Paula chorou durante o seu depoimento à CPI da Covid, nesta terça-feira (3), e pediu desculpas pelos erros que possa ter cometido.

O reverendo atuou como intermediário entre o Ministério da Saúde e a empresa Davati, que pretendia vender 400 milhões de doses da vacina AstraZeneca.

Durante seu depoimento, o reverendo evitou falar quais conexões políticas detém, ao ponto de conseguir ser recebido no Ministério da Saúde apenas quatro horas após ter encaminhado um primeiro email solicitando o encontro.

“Eu tenho culpa. Hoje de madrugada antes de vir pra cá eu dobrei os meus joelhos, orei”, disse o reverendo chorando. Ele se emocionou com a fala do senador Marcos Rogério (DEM-RO), que o defendeu e chamou de “trambiqueiros” os intermediários de vacinas.

“Aí eu peço desculpas ao Brasil, porque o que eu cometi não agradou primeiramente aos olhos de Deus. Esse erro que eu cometi foi um erro que, se eu pudesse voltar atrás, eu voltaria atrás”.

O reverendo afirmou que seu erro foi “abrir as portas” para os intermediários que queriam negociar vacinas. Disse que o fez apenas para “ajudar o Brasil” na busca por vacinas.

Em outro momento do depoimento, ele havia dito que ele e a sua entidade, a Senah (Secretaria Nacional de Ajuda Humanitária), foram “usados de maneira ardilosa para fins espúrios e que desconhecemos”.

REVERENDO DIZ QUE NÃO ENCONTROU BOLSONARO
O reverendo repetiu diversas vezes que não conhece o presidente Jair Bolsonaro. No entanto, reconheceu que teria um encontro com o chefe do Executivo, mas que acabou adiado pois teria ficado doente.

O reverendo foi questionado diversas vezes por uma mensagem do policial militar Luiz Paulo Dominghetti, que buscava negociar vacinas, na qual afirma que “neste momento o reverendo está com o 01”.

O senador Rogério Carvalho (PT-SE) ainda lembrou uma fala da advogada da entidade do reverendo, a Senah (Secretaria Nacional de Ajuda Humanitária), chamada de Maria Helena, que confirmou o encontro com o presidente.

O reverendo afirmou que houve uma falha de comunicação.
“No dia 14 [de março], tivemos uma reunião na diretoria jurídica da Senah, onde eu avisei que, havendo possibilidade, eu estaria em um encontro com o presidente Bolsonaro. A nossa equipe estava saindo para Goiânia, então houve esse ruído de comunicação, aonde cada um foi passando a mensagem a Dominghetti e Cristiano [Carvalho, representante da Davati no Brasil] que tanto me importunava para falar com o presidente”, afirmou.

“De novo: eu não fui porque no dia 15 eu tive uma crise renal. Eu me dirigi para casa e não fui para essa reunião”, completou
Em outro momento, o reverendo foi questionado sobre um vídeo de 2019, no qual afirma que o presidente conheceria um projeto de moradia da Senah. Ele afirma que se referiu a Bolsonaro no contexto de “nação do Brasil”.

“É um projeto que estamos trazendo para o governo, o governo como um todo. O governo Bolsonaro é a nação brasileira”, afirmou.

Texto: Raquel Lopes e Renato Machado

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